quarta-feira, 1 de abril de 2026

O grande dia

Meus dois amores, boa noite!

Tenho pensado muito em vocês, mas tido pouco tempo para escrever. Pelo menos, para escrever cartas. 

Mas pensa numa pessoa que escreve peças jurídicas... 

De toda forma, a presença das duas no meu coração e pensamentos é constante. Como sempre foi, aliás. E eu sei que as duas estão bem, então vou seguindo.  

Como de costume, tenho ligado sempre, apesar de não ser atendido. Quase nunca atendido, para dizer a verdade. Mas, tá tudo bem. Faz parte, ok. Sem cobranças.  

As pessoas sempre me disseram que um dia vocês iriam se achegar a mim. 

Inclusive, estive numa viagem recente muito feliz. Um reencontro de família. E um momento de muito aprendizado e debates. Conversei, inclusive, com uma pessoa experiente nesse assunto das questões de família. Uma mulher, advogada, mãe, atuante na área e também atuante na causa feminina. Ou seja, alguém, portanto, que entende esse negócio da chamada "alma feminina". Ela me garantiu que, um dia, vcs iam me procurar. 

Bem, tenho esperado isso há tanto tempo que quase perdi minhas esperanças. Não dei muita bola.

Pelo contrário, com o tempo a Marina se tornou absolutamente refratária a mim, sem que eu sequer saiba o motivo. Há anos ela não fala comigo e eu nem faço ideia do porquê. 

Já você, Luiza, estava no mesmo caminho. Mas, no final de 2024, você restabeleceu contato.

A Marina sempre foi uma criança tímida. Sempre demonstrou uma personalidade mais difícil e dura. Talvez, mesmo, a palavra seja "rancorosa", no sentido de demorar para conceder uma desculpa. Questão é que, seu eu não sei pelo que devo me desculpar, então não sei como me desculpar.

Já você, Luiza, sempre foi mais afetiva, mais sensível. E eu percebi quando vc me procurou e começamos a conversar que algo estava diferente em você. Esse nosso contato tem sido um pouco rarefeito, feito de ligações aqui e ali. Muito menor frequência do que eu gostaria. Mas vem sendo constante, crescente e presente desde então. 

Contudo, hoje, tive a primeira conversa sincera com você, Luiza. Uma conversa de pai e filha. Vou guardar esse dia no meu coração. 1º de abril, o dia da mentira, foi o dia da verdade.  

Meu amor, nós temos tanto para conversar. Foi tão bom saber um pouco mais de você. E foi maravilhoso saber que Deus tem aconselhado você a me conhecer melhor.  

Minha filha, eu amo tanto você e sua irmã. Seja o que for que vocês pensem de mim, vocês precisam pensar isso por si mesmas, e não por aquilo que as outras pessoas dizem que seu pai é. 

Sem dúvida, eu sou um chato. Mas, com menos dúvidas, eu lhes digo que sou um amorzinho. 

Digo e repito e repiso: a porta desta sua casa está sempre aberta. É só chegar. Venha, sinta, viva e conclua.

Minha Marina do mar. Minha Luiza guerreira. Minha Marina do Caymmi. Minha Luiza do Tom. 

O meu sopro de vida que corre em vocês há de trazê-las de volta ao porto de onde vcs partiram.

E haveremos de celebar esse retorno até o dia clarear. 

Viva os piratas do amor: pegue o que puder, sem nada devolver!

Um beijo no coração de cada uma. 

Um abraço de urso de papai da hora do retorno da escola. 

Um mundo novo de amor paterno para vcs. 

Com amor. Com um coração cheio de amor. 

Papai

 

Tarde em Carmo do Paranaíba

Eu estava escrevendo uma carta para vcs em Carmo do Paranaíba em 28/03/2026. 

Falei bastante sobre as duas com uma professora de Direito que atua na área de família, que me disse que um dia vcs iriam me procurar. 

Eu falei para ela que estava esperando isso a tanto tempo, que tinha meio que perdido a esperança.

De todo jeito, não deu tempo de escrever a carta, porque a coisa estava muito corrida por lá. 

E, então, adivinhem só o que aconteceu??!!