terça-feira, 28 de outubro de 2025
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Acordado pelo sonho
Oi Má, oi Lú. Bom dia!
Hoje eu fui acordado pelo sonho que tive com vcs duas.
Sonhei que houve um incêndio no lugar onde vcs estavam. Vcs haviam respirado muita fumaça.
Vcs ainda eram crianças, cinco ou seis anos talvez.
Apesar de ser nos EUA, sua mãe tinha me comunicado do ocorrido. E por aquelas coisas que só ocorrem em sonhos, pude deixar tudo que estava fazendo e ir até vcs para ver o que estava acontecendo e acompanhar a situação e cuidar de vcs.
Eu meio que cheguei junto com vcs ao hospital. Era uma ER (Emergency Room) americana. Retirei a Marina da ambulância, enquanto a Cintia retirava a Luiza. Falava em inglês com os médicos. Entrei na sala de atendimento e disse: I don't know how it happened, but they were in a fire and breathed a lot of smoke. Eles atendiam vcs razoavelmente rápido, estávamos todos perto, Marina de um lado, Luiza próxima, era possível acompanhar as duas e ficávamos eu e Cintia dando suporte para cada uma de vcs. Não demorou para que eles dessem bastante oxigênio para vcs e as duas fossem melhorando aos poucos. O perigo parecia ter passado. Lembro que olhava ternamente para a Marina, que estava comigo, enquanto também olhava para a Luiza, que era amparada pela Cintia. Felizmente tudo ficava bem. E,então, eu acordei.
Ao acordar, aquele sonho vívido invadiu minha mente. As sensações vivenciadas de angústia pela saúde de vcs, aquela preocupação insana com o que havia acontecido, a necessidade de amparar as duas. O alívio por estarem bem.
Uma coisa inundava o meu coração: a sensação do aperto ao receber um abraço da Marina quando ela estava um pouco melhor.
Caramba. Lembrar dessa sensação agora enche os meus olhos de lágrimas.
Não tenho nenhum contato com vcs há meses. Ligo e não sou atendido. Não recebo qualquer mensagem. A Cintia nunca retornou minha solicitação de termos uma reunião juntos os quatro para tratar da relação doentia que se desenvolveu dessa paternidade.
Estou me preparando novamente para ir aos EUA. Tirei meu passaporte que havia vencido. Vou renovar meu visto. Tomara que consiga. Acho que consigo. Não sinto que possa ser tido como uma ameaça para Trump. Dinheiro ainda é uma questão, mas parece menos complicada agora.
Vou até aí mais uma vez, pelo menos. Vou bater na porta das duas. E pedir para conversar pessoalmente com vcs. Tentar tratar essa ferida diretamente. Sinto que ainda preciso fazer isso como minha última grande tentativa de buscar uma reconciliação. Ou aproximação.
Existe uma sala decorada com fotos lindas da minha vida com vcs dentro do meu coração. Um lugar onde é permitido que eu as abrace, que eu expresse meu amor. Eu já não visito mais esse cômodo com frequência. Ele ficou congelado no espaço-tempo como uma dimensão paralela da vida real. Mas toda vez que eu vou até ele, bebo de um nectar doce que eu sei que não existe mais na minha vida real. E o conhecimento da realidade me arranca de dentro daquela sala. Essa extração é sempre dolorosa.
Sinto que estou a anos-luz de vocês duas. Essa nossa relação se tornou complexa ao extremo. Estive no meu psiquiatra ontem. Falei dos meus desafios: tia Vivi e sua doença; o trabalho e a reconstrução de uma carreira; a falta de prazer que sinto; a necessidade de cuidar da saúde e, para isso, ter que abrir mão dos prazeres que restam; a ausência e rejeição de vcs duas.
Fugir de tudo isso não é um caminho. Apesar de saber que pessoas na minha posição muitas vezes optam pelo suicídio, isso nunca foi uma solução possível na minha visão. Deprimir-me por tudo isso vivo tb não é viável. A possibilidade de não levantar cedo e produzir muito está absolutamente fora da minha realidade, pois significaria mais um problema para lidar. Encarar tudo isso é tudo o que me resta. Resiliência. Tá aí uma coisa que eu conheço bem.
Estou me sentindo muito só neste momento. Estou sentado num lugar muito escuro e vazio. E sei que as minhas dores ainda podem aumentar bastante.
É por isso que peço a Deus que cuide bem de vcs. Que cuide da Vivi. Que cuide da Duda. Que cuide da Mariana. Que cuide da minha mãe e dos meus irmãos. Que cuide da minha família. Que cuide de mim.
Estive, há um tempo atrás, com a Mariana e a Duda aqui em casa. Foi tão gostoso, sabiam. Fiquei tão orgulhoso de ver as duas juntas. Elas se dão tão bem. Nós conversamos, tivemos uma noite gostosa. Afetivas comigo. Fiquei orgulhoso de ver as duas construindo suas vidas.
Espero que vcs estejam bem. E que estejam construindo suas vidas em paz tb, mesmo que seja sem mim por perto.
Desculpe se não sinto mais vontade nem de perguntar se vcs estão bem para sua mãe. Não acredito que a minha relação com vcs deva passar por ela. Especialmente nessa fase da vida. É assim que vivo e vai ser assim que sempre vou viver. A não ser que sua mãe mudasse muito de atitude, o que sabemos que jamais vai acontecer.
É isso, meus amores. Em Brasília são 7h11 e este ser vai tomar banho, fazer a barba e trabalhar.
Beijo no coração de vcs duas. Amo vcs infinitamente.
Papai urso-pardo da floresta negra
Será que vcs sabem o que é um abraço de urso?
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)

